A SBD explica que a pele é uma espécie de capa, uma vez que ela reveste todo o corpo e tem a missão primordial de proteger contra agressões externas, desde fungos, bactérias, fatores ambientais, produtos físicos e químicos. E, por isso, ela também precisa ser protegida.¹

Esse órgão tão importante também é afetado por doenças, entre elas o câncer. Esse tipo de câncer, especificamente o não melanoma, é o mais comum no Brasil, conforme o Instituto Nacional de Câncer (INCA)². Para falar sobre essa doença, entender o papel do protetor solar na prevenção e campanhas de conscientização, como o Dezembro Laranja, a Bioderma convidou uma especialista em pele para uma conversa.

A dermatologista titular em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), Dra. Bruna Bravo (CRM 5273274-5), respondeu algumas das principais questões quando o assunto é câncer de pele e prevenção. Confira!

  • Dra. Bruna Bravo, Dermatologista.

    A Dra. Bruna explica que “é um crescimento anormal e descontrolado das células da pele, geralmente causado por dano ao DNA celular, por exposição intensa à radiação UV.”

    Além disso, o Ministério da Saúde divide o câncer de pele em dois tipos: melanoma e não melanoma. A principal diferença entre os dois se caracteriza pela gravidade. Enquanto o melanoma é a forma mais grave da doença, podendo causar metástase, o não melanoma é mais comum, com o nível de gravidade mais baixo e maior chance de cura. Em ambos os casos, o diagnóstico precoce é importante para aumentar a chance de cura.³

    É isso que a Dra. Bravo salienta, ao dizer que “a gravidade (da doença) depende do tipo do câncer e se é ou não diagnosticado precocemente”

    Dra. Bruna Bravo, Dermatologista.

Quais os primeiros sinais e qual é a aparência do câncer de pele?

O Ministério da Saúde fala sobre observar manchas que coçam, descamam ou sangram³. Também é importante ficar atento(a) às pintas e a Dra. Bruna fala sobre a necessidade de observar se há mudanças recentes nessas lesões, como tamanho, forma ou cor.

É essencial lembrar que, assim que você observar as primeiras mudanças ou sintomas, a busca por um médico é fundamental para confirmar ou descartar o diagnóstico e iniciar o tratamento. A Dra. esclarece que para o diagnóstico, “primeiro é realizado um exame clínico e dermatoscópico e, em casos de lesões suspeitas, biópsia para confirmação.”

Sobre a aparência das lesões, a Dra. Bruna Bravo informa que elas podem variar, dependendo do tipo. Elas podem parecer “feridas que não cicatrizam, nódulos perolados, lesões escuras, com múltiplas colorações, bordas irregulares, assimétricas.”

Qual o maior causador e fatores de risco do câncer de pele?

A Dra. Bruna Bravo é categórica ao afirmar que o maior causador do câncer de pele é a radiação UV. A Sociedade Brasileira de Dermatologia⁴ e o Ministério da Saúde² ainda salientam outros fatores de risco para desenvolver a doença, para além da radiação solar.

Entre os outros fatores de risco, estão a cor da pele, histórico de câncer na família, predisposição genética, outras doenças de pele, exposição a bronzeamento artificial, trabalho sob exposição solar e, claro, exposição prolongada ao sol.³⁴

Quais são as maneiras de prevenir o câncer de pele?

Para a Dra. Bruna, algumas das maneiras de prevenir o câncer de pele são “fotoproteção, evitar exposição prolongada ao sol, roupas de proteção, boné e óculos de sol.”
O Ministério da Saúde⁵ reforça a importância da proteção solar, não apenas por meio do filtro solar, mas também por outros meios, como informado pela Dra. Bruna. E, entendendo a importância do sol para a saúde, a entidade recomenda evitar os raios solares mais intensos entre 10h e 16h.

E, para aqueles que não conseguem evitar o sol nesse período, como quem trabalha exposto ao sol, o Ministério recomenda utilizar roupas e acessórios com proteção UV e aproveitar o máximo de sombra que estiver disponível, como as árvores. Outro ponto importante é usar o filtro solar de maneira adequada, preferencialmente com FPS superior a 15.⁵

Como o protetor solar protege a pele e qual a importância dele na prevenção do câncer?

A Dra. Bruna explica que “o protetor solar reduz a penetração dos raios UV, prevenindo assim danos que podem levar ao desenvolvimento de câncer de pele”. Além disso, ele “serve como barreira contra os efeitos nocivos dos raios UV.”

Por causa dessa barreira que o filtro solar faz, ele evita queimaduras e outras lesões na pele. A SBD complementa a informação ao dizer que o uso regular do protetor solar também previne danos como manchas e fotoenvelhecimento. Além de ser “eficaz para doenças pioradas pelos raios UV, como o lúpus eritematoso.”⁴

Os protetores solares ainda são divididos em duas categorias: físicos e químicos. De forma sucinta, a Dra. Bruna explica que “os filtros químicos absorvem os raios UV, enquanto os filtros físicos refletem.” Assim, os raios solares são refletidos ou absorvidos antes que eles penetrem na pele.

O que não pode faltar em um protetor solar e qual a importância do uso diário?

A Dra. Bruna Bravo explica que os protetores precisam ter alguns fatores essenciais, como amplo espectro, ou seja, ter boa absorção dos raios UVA e UVB. Ter proteção UVA e UVB, com FPS e PPD e resistência à água. Além disso, a SBD reforça que é importante o protetor solar não ter componentes que irritam a pele.⁶

Quanto à necessidade de utilizar o protetor solar todos os dias, na quantidade adequada e seguindo as recomendações de reaplicação dos fabricantes, a Dra. explica que a “aplicação diária protege contra os danos cumulativos dos raios UV”. A Sociedade Brasileira de Dermatologia ainda salienta que o uso não pode ser interrompido nem mesmo em dias frios e nublados.⁶

Saiba como escolher o protetor solar ideal para a sua pele

Qual o objetivo da campanha Dezembro Laranja?

O Dezembro Laranja é uma campanha de conscientização promovida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia e, de acordo com a Dra. Bruna Bravo, ela tem como objetivo “promover conscientização sobre prevenção do câncer de pele e sobre a necessidade de avaliação clínica regular.”

A escolha do mês de dezembro pela SBD tem relação direta sobre o início do verão nos países do hemisfério sul, quando há maior incidência de sol na região. Além de conscientizar sobre a prevenção, a campanha também visa reforçar a necessidade do diagnóstico precoce para maior chance de cura.

E, mesmo que o mês de conscientização escolhido pela entidade seja dezembro, é essencial lembrar que o Brasil é um país tropical, com incidência de sol o ano todo. Portanto, o uso do protetor solar e a prevenção da doença precisam ser sempre reforçados.

Caso você tenha uma lesão suspeita, não hesite em buscar orientação médica. O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de cura e, também, para evitar sequelas negativas físicas e emocionais nos pacientes.